sexta-feira, 1 de abril de 2011

O maior naufrágio da história

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Há 66 anos acontecia o maior naufrágio do mundo. Mas, até hoje, pouca gente ouviu falar nele


Era trinta de Janeiro de 1945 e o Wilhelm Gustloff iniciou mais uma viagem pelo Mar Báltico, com destino às cidades de Kiel e Flensburg, localizadas no que na época referia-se como Alemanha do Ocidente (não confundir com o que viria a ser conhecida como Alemanha Ocidental, da época da Guerra Fria). A bordo , mais de 9.000 pessoas excediam a capacidade do navio. A maioria era composta por mulheres e crianças, idosos e cerca de 1.200 soldados feridos. Alguns historiadores afirmam que havia muito mais pessoas, a maioria clandestinos.


Esse imponente navio , que tinha seu nome escrito em seus bordos em letras góticas, possuía uma excelente equipagem mas, devido a estar servindo como navio hospital já a alguns anos, ele se encontrava em mal estado de conservação. Seus potentes motores, que eram capazes de impulsionar o navio a velocidades acima dos que a que os submarinos da época podiam atingir, agora só atingiam 12 nós, transformando-o em um alvo fácil para os "lobos dos mares".

Ao zarpar, o Gustloff foi escoltado pelo torpedeiros "Lowe" e "TF-1".

Passageiros do transatlântico em 1938
O capitão do Wilhelm Gustloff foi responsabilizado pelo afundamento devido a duas decisões tomadas por ele: a primeira de utilizar a rota 58, que era um curso mais ao Norte e em águas mais profundas, que permitia a ação de submarinos. A outra decisão foi a de iluminar o navio totalmente, tornando - o um alvo de fácil visualização.

Enquanto as horas se passavam, o mau tempo - que era um aliado do Gustloff - foi se esvaindo e dando lugar à condições melhores. Como se isso não bastasse, um dos navios da escolta, o TF-1, precisou retornar ao porto para reparos. Esses eventos delineavam, a cada momento, a mão do destino indo de encontro ao Majestoso navio e não demorou muito para que alertas de "submarinos na área" ecoassem em toda a área do Sul do Mar Báltico.

Após o armistício, os Russos conseguiram importantes bases na Finlândia e foi de uma dessas bases, localizada na península de Hango, que o submarino russo S-13 navegou em 11 de Janeiro sob o comando do capitão Alexander Marinesco.


Dezenove dias se passaram até que, no final de mais um dia improdutivo, o oficial de serviço foi até a ponte e, a medida que a neblina local se dissipava, ele observou ao longe um enorme navio com todas as luzes acessas. Sem hesitar, chamou o capitão à ponte e poucos segundos se passaram até que o Capt. Marinesco desse ordens que trariam o S-13 à vida : "Postos de Combate , leme todo a direita, curso 2-3-0, máquinas força total avante!".

Em alguns minutos, o submarino se aproximou do Gustloff e, quando estava a cerca de 1.000 metros de distância do navio , ordenou o disparo de três torpedos que atingiram em cheio o casco, provocando confusão e desespero a bordo. Na ponte , o capitão sabia que três explosões seguidas como aquelas só poderiam significar uma coisa: torpedos! Um pedido de S.O.S. foi emitido (Save our Souls).

Uma confusão geral se instalou no navio, com as milhares pessoas a bordo tentando entrar nos botes salva vidas. Alguns destes botes viraram, ainda presos nos turcos, e arremessaram as pessoas na águas geladas do Báltico. Naquela situação desesperadora, o frio, stress e cansaço logo minaram as forças das pessoas que tentavam se salvar e, uma a uma, foram se deixando levar pelo terrível destino que as aguardava.

O navio escolta "Lowe" aproximou-se rapidamente do navio agonizante e recolheu o máximo de pessoas que podia, até que seus próprios tripulantes se esgotaram com o esforço que faziam.

Um outro navio alemão, o Admiral Hipper, vinha em uma rota próxima , navegando a 32 nós. A bordo, trazia cerca de 1.500 refugiados. Ao se aproximar do Wilhelm Gustloff, ele chegou a conclusão que uma tentativa de resgate seria muito difícil, pois o navio já adernara 30º. Enquanto pensava no que iria fazer para ajudar, o vigia do Hipper viu um, depois outro torpedo, indo em direção do navio - seu capitão decidiu abandonar a área, causando mais tarde repulsa entre seus contemporâneos.

Abandonados à própria sorte e agora frente a frente com o destino, o Wilhelm Gustloff foi ao fundo levando consigo cerca de 6.000 vítimas. Hoje, o local do naufrágio  


é conhecido nas cartas náuticas polonesas como "Obstáculo nº 73".

Apesar de ser considerado um "túmulo de guerra" pelo governo Polonês e o mergulho no local ser restrito - praticamente proibido - desde seu afundamento o Wilhelm Gustloff vem sofrendo ações de demolição.

Esse trabalho de pilhagem parece ter começado logo após o fim da Segunda Guerra Mundial e a principal evidência desta ação está na ausência dos hélices do navio, que foram provavelmente retirados pelos russos que procuravam por outras coisas de valor além do bronze que compõe a grande parte dos itens de equipagens de navios.



Fontes: Wikipédia, Rodrigo Coluccini, e Eduardo Szklarz, Revista Aventuras na História, edição 78

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