quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Arnaldo Jabor, sobre o 'Sul do brasil' | "Otras coisitas más"

POST ESCRITO POR:
Fala galera! Chegamos então ao meio da semana e também podemos dizer que saímos do 'início' do nosso blog. Nossa média de visitas vem aumentando, estamos nos organizando e a tendência é crescermos. Começamos a escrever o 'meio' de nossa história, e tomara que seja (e deve ser em qualquer projeto 'bem sucedido') a parte mais longa. Sigam visitando e divulgando nosso trabalho que nós seguiremos 'copando' novos posts todos os dias. Bom, quero informá-los também dos dias de cada um autor aqui no blog e a ordem está na página projetos. Hoje não é meu dia de postar, mas como sexta vou me direcionar a outro assunto e acabei de ler esse texto, me obriguei a postá-lo. O de sexta será sobre o jogo de logo mais entre Grêmio x Rede Globo Flamengo, o qual estou ansioso para ver, pois o time do Grêmio deu a impressão que iria engrenar mas perdeu pro Palmeiras, que não ganha de ninguém. Mesmo com o bom 3 a 0 sobre o Avaí (com o Jonas jogando bem de novo ¬¬) não quero me iludir. Até porque o primeiro tempo foi péssimo. Mas meu palpite pra hoje é 3 a 1. Douglas, Vílson e Jonas. Vamos ver... Mas vamos pro texto porque senão eu não paro de falar do Grêmio aqui. O de hoje vai ser um texto bem sugestivo dois dias depois do nosso dia Gaúchos.
 Nesse texto Arnaldo Jabor, comentarista do Jornal da Globo e um cara inteligentíssimo, fala do jeito passivo do brasileiro em relação aos fatos que ocorrem atualmente e do que pode ser a solução pra isso:

Se todos nós amássemos o nosso país como os sulistas, o Brasil seria outro..

Pois é.
O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo ressentimentos passivos.
Olham o escândalo na televisão e exclamam 'que horror'. Sabem do roubo do político e falam 'que vergonha'. Vêem a fila de aposentados ao sol e comentam 'que absurdo'. Assistem a uma quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem 'que baixaria'. Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram 'que medo'. E pronto! Pois acho que precisamos de uma transição 'neste país'. Do ressentimento passivo à participação ativa'.
Pois recentemente estive em Porto Alegre, onde pude apreciar atitudes com as quais não estou acostumado, paulista/paulistano que sou. Um regionalismo que simplesmente não existe na São Paulo que, sendo de todos, não é de ninguém. No Rio Grande do Sul, palestrando num evento do Sindirádio, uma surpresa.
Abriram com o Hino Nacional.
Todos em pé, cantando. Em seguida, o apresentador anunciou o Hino do Estado do Rio Grande do Sul. Fiquei curioso. Como seria o hino? Começa a tocar e, para minha surpresa, todo mundo cantando a letra!
'Como a aurora precursora /
do farol da divindade, /
foi o vinte de setembro /
o precursor da liberdade '.

Em seguida um casal, sentado do meu lado, prepara um chimarrão. Com garrafa de água quente e tudo. E oferece aos que estão em volta. Durante o evento, a cuia passa de mão em mão, até para mim eles oferecem. E eu fico pasmo. Todos colocando a boca na bomba, mesmo pessoas que não se conhecem. Aquilo cria um espírito de comunidade ao qual eu, paulista, não estou acostumado.
Desde que saí de Bauru, nos anos setenta, não sei mais o que é 'comunidade'. Fiquei imaginando quem é que sabe cantar o hino de São Paulo. Aliás, você sabia que São Paulo tem hino? Pois é... Foi então que me deu um estalo.
Sabe como é que os 'ressentimentos passivos' se transformarão em participação ativa? De onde virá o grito de 'basta' contra os escândalos, a corrupção e o deboche que tomaram conta do Brasil?
De São Paulo é que não será. Esse grito exige consciência coletiva, algo que há muito não existe em São Paulo. Os paulistas perderam a capacidade de mobilização. Não têm mais interesse por sair às ruas contra a corrupção. São Paulo é um grande campo de refugiados, sem personalidade, sem cultura própria, sem 'liga'. Cada um por si e o todo que se dane.
E isso é até compreensível numa cidade com 12 milhões de habitantes. Penso que o grito - se vier - só poderá partir das comunidades que ainda têm essa 'liga'. A mesma que eu vi em Porto Alegre. Algo me diz que mais uma vez os gaúchos é que levantarão a bandeira. Que buscarão
em suas raízes a indignação que não se encontra mais em São Paulo.
Que venham, pois. Com orgulho me juntarei a eles. De minha parte, eu acrescentaria, ainda:
'...Sirvam nossas façanhas, de modelo a toda terra...' 
(Arnaldo Jabor)

Um quebra-costela! UHAEUAEHAUEHAEUHAEUHAEUHAE

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